Foz do Iguaçu

Sempre relacionadas entre as mais belas atrações naturais do mundo, as Cataratas do Iguaçu, por incrível que pareça, não entram na relação de destinos de muitos brasileiros que gostam de viajar. Talvez haja um certo preconceito, pois existem pacotes de quatro dias em Foz do Iguaçu (PR) a partir de R$ 600 com transporte aéreo, hospedagem e alguns passeios – e tem gente que acha que se é barato, não é legal. Não é o que pensam japoneses, alemães e visitantes de várias partes do mundo, encontrados em qualquer época do ano fotografando o maior conjunto de quedas d´água do planeta.

É verdade que, especialmente nos meses de férias, a cidade fica bem cheia e há filas para algumas atrações, inclusive para passar pela burocrática fronteira da Argentina. Mas é igualmente verdadeiro que não há espera que se sobreponha à emoção de presenciar o show de águas de pertinho (ou até de baixo) e dizer, com propriedade, que você conheceu essa maravilha na natureza, muito mais exuberante que Niagara Falls, no Canadá, ou as Cataratas de Vitória, no Zimbabue, para ficar em dois conjuntos de quedas d'água badalados.

Isso sem falar nas outras atrações de Foz do Iguaçu que, ao contrário do que se pensa, não se resume apenas às cataratas. Há trilhas pela mata preservada, diversas opções de esportes de aventura, um parque com 150 espécies de aves (muitas delas em extinção), e todo o complexo da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior em geração de energia do mundo – e uma das que mais investem na recepção de turistas.

Opções não faltam para os quatro dias da maioria dos pacotes para a cidade paranaense – alguns com preços superiores a R$ 600, porém, com mais passeios ou hotéis de categoria superior. Inclusive na noite, quando os bares e cassinos das vizinhas Puerto Iguazu (Argentina) e Ciudad Del Este (Paraguai) complementam o crescente agito noturno de Foz do Iguaçu. Isto é, se você aguentar sair à noite depois de um dia inteiro de passeios, normalmente regados à muito sol e, se você quiser, adrenalina.

Preservação e Itaipu

Há ainda algumas atrações ligadas à preservação da natureza, como é o caso do Parque das Aves. Mais do que uma espécie de zoológico de pássaros, o espaço permite que o visitante interaja com araras, tucanos e periquitos?? dentro de viveiros enormes onde os bichos circulam livremente entre as pessoas. Muitas das 900 aves do parque foram resgatadas do tráfico de animais e, quando estão machucadas ou em extinção, são mantidas ali sob o cuidado dos biólogos do parque. No momento, ele se dedicam à reprodução de uma harpia, espécie de águia brasileira cada vez mais rara.

Um trabalho semelhante é realizado no Refúgio Biológico Bela Vista, mantido pela Itaipu, que atua no resgate e reprodução de diversas espécies ameaçadas, não apenas de aves. Uma das atrações mais procuradas do refúgio é o casal de onças pintadas Juma e Valente, que são separados do público apenas por uma proteção de vidro. Para conhecer o espaço há cinco roteiros temáticos, que podem ser feitos com acompanhamento de guias. O refúgio possui também projetos paralelos, como cultivo e distribuição de ervas medicinais e replantio de árvores.

O Refúgio Biológico é apenas um dos sete passeios promovidos pela Itaipu. O mais procurado de todos é o que faz um tour pela própria usina, passando por circuitos internos e externos nos quais é possível aprender um pouco sobre o processo de produção de energia e admirar a grandeza da barragem, com paradas estratégicas para fotos. Esse é o Circuito Especial, que tem entre os destaques um passeio pela sala de comando central, pelo eixo de uma unidade geradora em funcionamento e nas galerias onde estão instaladas as turbinas. Custa R$ 36.

Se você não está interessado em conhecer tantos detalhes assim de uma das sete maravilhas do mundo moderno pode gostar da Visita Panorâmica (R$ 19), um roteiro mais curtinho que passa somente pelas áreas externas da usina, como o alto da barragem e o vertedouro (onde escorre o excesso de água do reservatório em descargas de até 62.200 m³ por segundo).

A Itaipu oferece ainda o Ecomuseu, que conta a história da usina e da região do reservatório por meio de exposições interativas e recursos de informática, e o Polo Astronômico, onde fica o primeiro planetário da região da tríplice fronteira e um observatório com quatro telescópios, um deles com capacidade de aumento de 500 vezes.

Há também um passeio pelo lago de Itaipu no barco Kattamaram (com várias opções de circuito) e o show de luzes na barragem da usina nas noites de sexta e sábado. No espetáculo, a imensa parede de concreto é iluminada por 519 refletores e 112 luminárias em sincronia com uma trilha sonora criada especialmente para a apresentação.

Brasil e Argentina dividem o orgulho de ter as cataratas. Apesar de a maior parte ficar em território brasileiro, a vista a partir da Argentina é a mais impressionante. Em ambos os lados, a estrutura para visitantes é impecável, com trilhas pavimentadas (ou suspensas sobre o rio) e transporte especial, seja nos brasileiros ônibus turísticos ou nos argentinos trens até as atrações. Além disso, o turista sempre tem uma lanchonete ou restaurante por perto, assim como uma lojinha de souvenires.

No Brasil, o percurso é feito em uma trilha paralela ao Rio Iguaçu, que oferece vista integral às quedas e alguns mirantes. Apesar de um pouco longa, é bem fácil de seguir já que não é feita pelo mato, e sim no urbanizado caminho-mirante até as quedas mais acessíveis. No fim da trilha, que costuma ser repleta de curiosos quatis e borboletas, o visitante prepara a câmera e o humor para levar um banho nas plataformas metálicas que levam até bem pertinho das quedas. No mirante dá pra ver, em meio à névoa formada pelos respingos d'água, a famosa Garganta do Diabo, cujas quedas, em formato de ferradura, são a vista mais privilegiada do lado argentino.

Em frente ao mirante, elevadores panorâmicos levam até uma das bases para os turistas, onde ficam lanchonetes e o restaurante Porto Canoas, com a melhor vista para as quedas. O bufê é bom em variedade, mas paga-se mais pela localização do que pelo primor gastronômico.

Para chegar até a trilha é preciso deixar o carro na entrada do Parque Nacional. De lá, coloridos ônibus turísticos de dois andares levam os visitantes à entrada dos passeios que, além da Trilha das Cataratas, incluem o Macuco Safári (expedição de barco até as quedas) e a Trilha do Poço Fundo, uma das mais procuradas pelos jovens. Apenas hóspedes do Hotel das Cataratas, o único dentro do parque, podem circular com o próprio carro. Cada atração é paga a parte, mas é possível pagar uma entrada combinada com duas ou mais atrações e almoço (veja os preços no box Programe sua viagem).

Se você se apaixonou pela visão das cataratas desde o Brasil (o que é muito provável), não pode deixar de conhecer o Parque Nacional Iguazu, do lado argentino. De cara, você pode se desapontar. De lá não há a visão geral que o Brasil oferece e é um pouco mais trabalhoso chegar até as quedas. Além de passar pela aduana e trocar alguns reais por pesos, já que a entrada no parque é cobrada na moeda local, é preciso pegar um trem até uma das plataformas para as trilhas que, por sua vez, são longas e só oferecem visão para as cataratas no finzinho.

Porém, quando você chegar neste ponto, qualquer desapontamento desaba mais rápido do que a água que cai ali. Na Garganta do Diabo (que lá é “del Diablo”), as plataformas chegam até o princípio dos enormes saltos, na vista mais espetacular de ambos os parques. Dá até um frio na barriga olhar pra baixo e constatar que apenas uma fininha plataforma de metal o separa do violento fluxo do rio até a queda que, vista de lá, não tem fim.

A outra trilha é até a ilha de San Martin, bem do lado de um conjunto de cataratas menor, a Três Mosqueteiros. Vale a pena conhecer, até porque as duas trilhas já estão inclusas no valor do ingresso, de 49 pesos (cerca de R$ 29). Se você quiser só visitar as atrações turísticas e não pretende almoçar nem fazer compras por lá, pode trocar apenas 60 pesos por pessoa, cerca de R$ 36, na casa de câmbio que fica logo depois da fronteira.

Foz da aventura

De volta ao Brasil, vale lembrar que as cataratas são apenas uma das atrações do Parque Nacional do Iguaçu. Especialmente para quem gosta de aventura, que não pode perder o passeio do Macuco Safári. Ele é dividido em três partes: primeiro, um caminho de estrada de terra é percorrido em um jipe aberto, enquanto o guia dá informações sobre a fauna e flora locais. Depois, uma trilha a pé de 600 metros, que passa por uma cachoeira mais escondidinha, a Salto do Macuco, leva até a borda do rio, de onde saem os barcos infláveis bimotores até as cataratas. É aí que a aventura começa.

Antes de embarcar, a equipe do Macuco recomenda que você deixe sapatos e objetos pessoais nos armários disponíveis para aluguel por R$ 5. A impressão que dá, pela forma como eles falam, é que você vai se molhar um pouquinho durante o passeio. Não se engane: você vai sai de lá encharcado, com direito a batismo debaixo de uma queda e tudo. Vá preparado (leia-se com roupa de banho por baixo) e leve apenas a máquina fotográfica – antes de começar a molhadeira, quando todas as câmeras são guardadas em um saco impermeável, há algumas paradas para fotos.

Além de lavar a alma com as pesadas águas dos saltos Três Mosqueteiros, quem faz este passeio tem a oportunidade de ver as cataratas em ângulos únicos. Inesquecível, a jornada dura cerca de duas horas e, se você fizer de manhã ou no começo da tarde, quando a luz é a melhor para fotos, prepare-se para passar boa parte do dia molhado.

Em frente à recepção do Macuco Safári, onde param os ônibus turísticos, fica a entrada para a trilha do Poço Preto. Essa é para quem gosta de natureza e tem condicionamento físico. São 9 km pela mata, que podem ser percorridos a pé ou de bicicleta, com guias bilíngues observando a flora e a fauna até uma casa-mirante com visão panorâmica da floresta. A volta é feita pelo rio, em caiaques ou barcos bimotor que levam até uma pequena trilha para a estrutura turística das cataratas, próximo ao restaurante Porto Canoas.

Há ainda mais uma parada obrigatória dos aventureiros: o Campo de Desafios, próximo ao início da Trilha das Cataratas. São quatro atividades desenvolvidas ali – arvorismo, rapel, rafting e escalada –, a maioria delas com vista para as cataratas.

O arvorismo é dividido em quatro etapas. Primeiro, é realizado um pequeno circuito nos Elementos Baixos, obstáculos feitos de cordas, cabos de aço e troncos de eucalipto que ficam a até 50 cm do chão. Servem mais para divertir e testar o (des)equilíbrio de quem se aventura pela primeira vez. Em seguida, o arvorismo em Elementos Altos oferece uma sequência de 12 obstáculos com altura máxima de oito metros, nos quais o praticante caminha em finos cabos de aço, troncos móveis, escadinhas instáveis e redes de cordas.

Depois de concluir o circuito, com uma tirolesa curtinha para arrematar, vai ser mais fácil encarar o Pulo do Gato, brinquedo que consiste em escalar um tronco de 10 metros de altura e, a partir deste, pular em um trapézio a 12 metros do chão. Exige coragem, sem dúvida, mas a injeção de adrenalina é incomparável. Quem ainda tiver fôlego depois da aventura pode experimentar a quarta e última etapa do arvorismo: o muro de escalada artificial, com paredões de vários graus de dificuldade.

O arvorismo é uma atração bem divertida, mas não tem a mesma vista que o rapel. Partindo de uma plataforma suspensa de 55 metros de altura, este requer menos esforço do que o arvorismo. Enquanto realiza-se a descida por meio das cordas, com monitores na base de saída (no alto) e chegada (embaixo), é permitido levar o tempo que quiser para contemplar as cataratas por mais um ângulo novo. A parte mais trabalhosa e demorada da atração, na verdade, é a volta de lá de baixo pelas escadas. Mas, se você preferir, dá para aproveitar que já está na margem do Rio Iguaçu e engatar um rafting pelas corredeiras. Outra opção é subir de volta pelas rochas, em uma das 30 vias de escalada nos paredões do Cânion do Iguaçu

Quando Ir

É possível visitar as cataratas o ano inteiro, mas no verão as quedas são mais volumosas e a temperatura pode chegar até 40ºC. No outono e na primavera as temperaturas são mais amenas – entre 20ºC e 25ºC. No inverno, o frio pode chegar a até 7ºC.

fonte: www.msn.com

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